segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Dia Especial mostra potenciais do ovino Berganês


O campus Petrolina Zona Rural do IF Sertão-PE sediou, no último sábado (23), o Dia Especial Berganês, que apresentou resultados preliminares da pesquisa de doutorado “O Berganês do Sertão Pernambucano”. 
Grupo genético típico da região de Dormentes, no Sertão Pernambucano, o Berganês é resultado do cruzamento entre ovinos das raças Santa Inês e Bergamácia, com a intenção de produzir animais maiores e mais pesados para a produção de carne. Esses cruzamentos vêm sendo realizados desde o final da década de 1980, no entanto, só agora, através do projeto de pesquisa, está sendo realizada a caracterização desses animais, que apresentam aspectos únicos de um grupo racial e com características próprias da região.


O evento contou com as presenças do coordenador do projeto, João Bandeira, da diretora geral do campus, Jane Perez, de representantes de instituições parceiras, como Embrapa, IPA e Univasf,  além de estudantes e professores do IF Sertão-PE. 


No primeiro momento, o coordenador do projeto, João Bandeira, apresentou dados sobre o Berganês e explicou o trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2015, apresentando dados preliminares que identificam o potencial do ovino. Em seguida, os presentes tiveram a oportunidade de observar características do ecótipo, em uma unidade demonstrativa estabelecida no próprio campus, bem como de cruzados com outras raças, como Berganês-Dorper. “Esse momento é muito importante porque as pesquisas normalmente ficam engavetadas e demoram muito para chegar ao produtor. Então aqui está a oportunidade de os produtores, os alunos, os pesquisadores presentes terem uma avaliação inicial”, disse João Bandeira.
Ainda segundo o pesquisador, foi possível observar que cruzamentos já realizados em propriedades de Dormentes, como o Dorper-Berganês, teve tanto um bom desempenho de crescimento, quanto de acabamento. “O Dorper-Berganês está mostrando que é superior em crescimento, desenvolvimento e acabamento de carcaça, mesmo comparando com o Dorper-Santa Inês que é o que existe hoje em todo Nordeste”, explicou.


Para o pesquisador da Embrapa Semiárido, Sérgio Murilo, o evento foi uma oportunidade de demonstrar que é possível acessar mercados com animais de excelente qualidade e utilizando uma genética local. Já o estudante de mestrado em Zootecnia pela UFRPE e colaborador do projeto, Reinaldo Vilar, destacou a importância do Dia Especial. “Culminar com esse dia especial terminou por engrandecer ainda mais a importância do projeto, tendo em vista que é um trabalho inovador, não existe um levantamento de dados como esse, de desempenho, morfometria e componente de carcaça desse ecótipo e de seus cruzados”, afirmou.


Além de grande valor científico, o projeto de pesquisa pretende dar subsídios para homologação do Berganês, junto ao Ministério da Agricultura (MAPA), como uma nova raça de ovinos e tende a beneficiar produtores ao evidenciar as qualidades e vantagens que o ecótipo pode oferecer, favorecendo o desenvolvimento econômico da região e dos criadores com a oportunidade de exportação de seu material genético para outras regiões do país. "Já é o terceiro doutorado que é desenvolvido em nosso campus, e o Instituto de forma geral abraça essa ideia e apoia, sabendo que isso tem grande importância para os alunos, para os profissionais e toda comunidade", ressaltou o chefe de Departamento de Campo do campus Petrolina Zona Rural, Nivaldo Ribeiro. 

Por Ines Guimaraes / ASCOM

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